
O governo federal divulgou nesta terça-feira, 1º, o Plano Safra para o ano agrícola 2025/2026, destinando R$ 516 bilhões ao financiamento da agricultura empresarial. O recurso, voltado a médios e grandes produtores rurais, representa um acréscimo de R$ 8 bilhões (1,5%) em relação à safra anterior, mesmo em um cenário de restrições orçamentárias.
O montante anunciado prioriza as linhas de custeio e comercialização, que passaram de R$ 401,3 bilhões para R$ 414,7 bilhões. Em contrapartida, os recursos para investimentos foram reduzidos de R$ 107,3 bilhões para R$ 101,5 bilhões.
Nas operações de custeio, os juros serão de 10% para médios produtores e de 14% para os demais. Para investimentos, as taxas anuais variarão entre 8,5% e 13,5%.
Durante a cerimônia de anúncio em Brasília, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, afirmou que o programa "é o terceiro Plano Safra recorde da história, vencendo dificuldades", fazendo referência à taxa básica de juros, atualmente em 15%, que tem sido um entrave para o crédito. A disponibilidade de recursos do Tesouro para a equalização dos juros foi um dos principais desafios na formulação do plano. "Ainda assim, com todas as dificuldades, o aumento das taxas de juros foi na ordem de 1,5%, no máximo, 2%. O governo absorveu o aumento da Selic com equalização, fazendo com que, além de fazer um Plano Safra recorde, ele continue sendo estimulante. Ninguém gosta de pagar juros altos", declarou Fávaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva complementou, destacando o objetivo de consolidar o Brasil como celeiro do mundo: "Batemos mais um recorde de valor disponível, mas queremos o máximo de ganho que esses recursos podem gerar. Nosso objetivo é consolidar o papel do Brasil como celeiro do mundo."
Na segunda-feira (30), o governo federal já havia anunciado R$ 89 bilhões para o financiamento da agricultura familiar.
Novidades do programa
Entre as inovações, o Plano Safra introduziu um novo enquadramento para produtores elegíveis ao Pronamp. O limite de renda anual aumentou de R$ 3 milhões para R$ 3,5 milhões, ampliando o acesso às condições oferecidas pelo programa.
Também foram ampliados os descontos para as boas práticas agrícolas, como o uso de bioinsumos. A medida inclui a prorrogação na aplicação de um desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros das operações de custeio para produtores no Pronamp e para os demais agricultores que investirem em atividades sustentáveis.
Os programas Moderagro e Inovagro, voltados à modernização das frotas e à inovação, foram unificados. O governo informa que esse formato deve simplificar o acesso ao crédito com o aumento do limite disponível.
Para projetos voltados à armazenagem rural, o Plano Safra elevou o limite de capacidade por projeto contratado, passando de 6 mil para 12 mil toneladas.