
A investigação relacionada a Operação Momentum Libertatis, que apura denúncias de cárcere privado, exploração sexual e trabalho análogo à escravidão envolvendo mulheres em Ijuí, no noroeste do Estado, teve um novo desdobramento. Uma advogada foi presa preventivamente na última sexta-feira (4), suspeita de participação em fatos apurados pela Polícia Civil no decorrer do inquérito.
Segundo a investigação, a profissional atuava na defesa de integrantes do grupo criminoso investigado e teria se comprometido perante o Ministério Público a garantir que as mulheres resgatadas fossem libertadas e retornassem em segurança às suas famílias. No entanto, conforme a Polícia Civil, o encaminhamento não teria ocorrido da forma acordada.
Os investigadores apontam que as vítimas teriam sido conduzidas para outro estabelecimento onde ocorria exploração sexual, localizado na região de Planalto, no norte do Estado.
Um dos elementos que embasaram o pedido de prisão preventiva foi o relato de uma das vítimas. Conforme a Polícia Civil, a mulher afirmou ter sido ameaçada de morte durante o deslocamento realizado após o fechamento da casa em Ijuí.
Segundo o depoimento prestado à polícia, a ameaça teria partido da advogada, que teria advertido a vítima para que não voltasse a procurar as autoridades. A suspeita de intimidação, somada a outros elementos reunidos ao longo do inquérito, foi considerada durante a análise judicial que resultou na decretação da prisão preventiva.
Dias após a operação realizada em Ijuí, a Polícia Civil de Planalto cumpriu diligências em outro estabelecimento investigado. De acordo com os investigadores, há indícios de que o local também estaria ligado ao mesmo grupo criminoso. A suspeita é de que a organização seja comandada por um homem atualmente recolhido na Penitenciária Modulada de Ijuí. Durante a ação em Planalto, oito mulheres foram encontradas e resgatadas.
Além da advogada, outras duas pessoas investigadas no caso também foram presas nos últimos dias. Uma delas é uma mulher que trabalhava na casa de prostituição alvo da investigação em Ijuí. O outro suspeito é apontado pela Polícia Civil como gerente ligado ao grupo criminoso.
Segundo os investigadores, ambos já eram alvo de pedidos de prisão preventiva e aguardavam decisão judicial.
OAB acompanha o caso
A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Sul (OAB/RS) informou que tomou conhecimento da prisão da advogada e solicitou acesso aos autos do inquérito.
Segundo a entidade, a documentação será analisada para que sejam adotadas, com a devida celeridade, as providências institucionais consideradas cabíveis.
Relembre o caso
As investigações tiveram início com a Operação Momentum Libertatis, realizada nos dias 20 e 21 de agosto pela Polícia Civil de Ijuí. A ação foi coordenada pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) e apurava denúncias de cárcere privado, exploração sexual, agressões físicas e trabalho análogo à escravidão. Durante a operação, três jovens foram resgatadas. Uma delas estava grávida.
Segundo a Polícia Civil, as vítimas eram submetidas a um sistema de dívidas que dificultava sua saída do local e restringia sua liberdade.
Os investigadores também apontam que o estabelecimento era controlado por uma facção criminosa.
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