A noite do último sábado (22) foi especial e inesquecível para Darciza de Bona, moradora de Taquaruçu do Sul, no Norte do Rio Grande do Sul. Aos 101 anos, ela realizou um sonho que acompanhava há décadas à distância: conhecer pessoalmente o Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e ver de perto o clube do coração, o Sport Club Internacional.
Darciza esteve entre as mais de 20 mil pessoas que passaram pelo estádio naquela noite. Nascida quando o Internacional ainda vivia os primeiros anos de sua história, em uma época de futebol amador e sem a estrutura que hoje marca o Beira-Rio, ela acompanhou a trajetória do clube ao longo de mais de um século.
Mesmo morando a cerca de 420 quilômetros da capital gaúcha, manteve a paixão pelo Colorado por toda a vida. Rádio, televisão, jornais e as conversas com familiares e amigos eram as formas encontradas para acompanhar o time. Ao longo dos anos, viveu as grandes conquistas e também as derrotas, sempre mantendo o carinho pelo clube.
A paixão pelo futebol também atravessou a família. Casada com Carmelindo, que era gremista, Darciza viu os nove filhos se dividirem entre colorados e gremistas. Apesar disso, o desejo de conhecer o Beira-Rio permaneceu vivo.
A oportunidade finalmente chegou no último sábado. Com passos firmes, apesar dos 101 anos, Darciza subiu os dois degraus que dão acesso ao camarote da área Coração do Gigante. Ao entrar e avistar o gramado pela primeira vez, não escondeu a emoção.
Ao longo da vida, ela acompanhou ídolos e momentos históricos do Internacional, incluindo a conquista do Mundial de Clubes, em 2006, quando tinha 81 anos. Também acompanhou de perto, por meio das transmissões, jogadores que marcaram gerações, como Andrés D'Alessandro.
Conhecer o estádio, porém, representou uma emoção diferente. Depois de tantas décadas acompanhando o clube pelo rádio e pela televisão, Darciza finalmente estava dentro do Beira-Rio.
A experiência ainda reservava outra surpresa. Ela desceu de elevador, recebeu um crachá e foi conduzida até a cabine de número 5, onde funciona a equipe da Gaúcha. Lá, pôde conhecer o local de onde saem algumas das vozes que, durante tantos anos, fizeram companhia a ela por meio do rádio.
Aos 101 anos, Darciza mantém uma rotina que valoriza hábitos simples: acorda cedo, gosta de se movimentar, jogar cartas, apreciar um vinho com moderação e, principalmente, estar próxima da família.
Questionada sobre o segredo para chegar aos 101 anos, ela afirma não ter uma fórmula. Mas sua história mostra uma vida marcada por disposição, convivência familiar e paixões que atravessaram gerações.
E foi justamente dentro do Beira-Rio que uma dessas histórias ganhou um capítulo especial.
Darciza de Bona falou ao microfone do narrador Marcelo de Bona.
E não foi por acaso.
Entre tantas histórias que carrega ao longo de seus 101 anos, Darciza também tem um motivo especial para reconhecer aquela voz: Marcelo de Bona é seu neto.