Metereologia El Niño
Modelos meteorológicos indicam risco de chuva excessiva e temporais no Sul do Brasil na segunda quinzena de julho
Simulações apontam acumulados expressivos sob a influência de um forte El Niño no Oceano Pacífico, demandando atenção de órgãos de monitoramento e Defesa Civil
14/07/2026 12h43
Por: Redação GV
Reprodução

Os mapas e modelos meteorológicos voltaram a colocar os estados do Sul do Brasil em condição de atenção para as próximas semanas. Uma atualização recente do modelo europeu ECMWF projetou acumulados localizados de precipitação que podem superar os 500 milímetros no Rio Grande do Sul em um intervalo de aproximadamente 15 dias, compreendido entre 12 e 27 de julho.

A simulação mais aguda indicou marcas próximas a 580 milímetros em pontos específicos do território gaúcho, embora especialistas alertem que o dado representa uma rodada operacional isolada e não uma previsão consolidada para todo o Estado.

Apesar das oscilações nos volumes projetados, há convergência entre diferentes institutos sobre a ocorrência de um cenário de chuva excessiva e episódios sucessivos de tempo severo.

A MetSul Meteorologia projeta uma sequência de instabilidades de pelo menos cinco dias consecutivos, com início na quinta-feira, 16 de julho, estendendo-se até a terça-feira, 21 de julho, ou datas posteriores.

A Epagri/Ciram também emitiu alertas para o período entre 18 e 27 de julho, apontando que os maiores acumulados devem se concentrar sobre o Rio Grande do Sul, com marcas de 200 a 300 milímetros, podendo afetar também os municípios catarinenses situados na faixa de divisa.

Influência do El Niño

A instabilidade atmosférica ocorre sob a forte influência do fenômeno El Niño, que apresenta rápido aquecimento nas águas do Oceano Pacífico. Medições indicam que a anomalia térmica na região do Niño 3.4 atingiu 2 graus Celsius acima da média histórica pelo método tradicional, patamar que caracteriza informalmente um Super El Niño.

De acordo com análises climáticas, o aquecimento atual superou a velocidade de evolução de grandes eventos anteriores, como os registrados em 1997, 2015 e 2023. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima em 81% a probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, com 97% de chances de permanência ativa até o início de 2027.

O risco de tempestades severas na região é ampliado pela atuação de um corredor de vento em baixos níveis, sistema que transporta o ar quente e úmido proveniente da Região Amazônica diretamente para o Sul do continente.

O encontro desse fluxo de umidade com frentes frias e sistemas de baixa pressão atmosférica favorece a ocorrência de vendavais, queda de granizo e precipitações volumosas.

Embora o cenário meteorológico remeta aos acumulados históricos observados nas cheias de 2024, técnicos ressaltam que a presença de um El Niño de forte intensidade não acarreta necessariamente a repetição idêntica dos eventos anteriores, visto que os impactos práticos dependem do posicionamento exato das frentes frias, da saturação prévia do solo e da velocidade de deslocamento dos sistemas.

Os órgãos oficiais recomendam que a população e os setores produtivos acompanhem os boletins diários de curto prazo emitidos pelas defesas civis estaduais para a atualização de volumes e alertas municipais.

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