As fortes precipitações pluviométricas iniciadas no último fim de semana causaram severos estragos estruturais e sociais em pelo menos 21 municípios das regiões norte e noroeste do Rio Grande do Sul. O balanço consolidado pelas coordenadorias regionais da Defesa Civil nesta segunda-feira, 29, aponta um cenário de estradas bloqueadas, redes de abastecimento afetadas, prejuízos na agricultura e centenas de habitações invadidas pelas águas.
Em Redentora, o núcleo urbano registrou alagamentos em cerca de 30 residências, enquanto a estimativa para a zona rural aponta para mais de 300 propriedades atingidas, além de bueiros rompidos e obstrução de vias locais.
No município de Boa Vista do Buricá, a cheia do Rio Rufino causou o isolamento de moradores na localidade de Vista Alta, demandando uma operação de resgate do Corpo de Bombeiros para retirar duas pessoas que estavam abrigadas sobre o telhado de uma casa de lazer.
O impacto na infraestrutura viária do interior forçou prefeituras da região a paralisar o ano letivo temporariamente devido à falta de condições para o tráfego dos ônibus escolares. Em Palmeira das Missões, onde o acumulado de chuva atingiu a marca de 200 milímetros, o transporte e as aulas das escolas rurais foram totalmente suspensos, enquanto as equipes da Defesa Civil realizam a limpeza de detritos nas ruas e contabilizam prejuízos em dez moradias urbanas.
Frederico Westphalen, Campo Novo e Sagrada Família também cancelaram as atividades pedagógicas presenciais nesta segunda-feira para preservar a segurança de alunos e professores.
O cenário de calamidade levou administrações locais a buscarem amparo junto às esferas superiores de governo. Em Seberi e Cerro Grande, equipes técnicas realizam vistorias de campo e o georreferenciamento dos pontos críticos para fundamentar a homologação de decretos de situação de emergência pelo Estado.
Em Cerro Grande, há um alerta sanitário emitido pelo prefeito Álvaro de Carli orientando a população a não consumir a água da rede pública devido ao risco de contaminação de poços artesianos inundados pela enxurrada.
As bacias hidrográficas locais apresentaram rápida elevação de nível, gerando inundações severas em perímetros urbanos adensados. Em Coronel Bicaco, o transbordo de dois riachos afetou 35 casas, obrigando a Defesa Civil a remover dez famílias para o abrigo temporário estruturado na Escola Rosolina Dinis.
Em Campo Novo, o transbordo do Rio Gravatá atingiu 11 núcleos familiares, resultando no desalojamento de duas famílias que foram realocadas para o Ginásio de Esportes do município, além de ocorrências de destelhamentos isolados.
No município de Três Passos, as secretarias de Obras e de Transportes concentram esforços na desobstrução de pontilhões e estradas vicinais severamente danificadas pela força das correntezas. Os principais pontos de restrição de tráfego localizam-se na Linha Católica, nas adjacências do campo do Beira Rio, em Baixo Erval Novo e no trecho da Prainha do Erval Novo, na Linha Turvo.
O setor agrícola regional projeta perdas expressivas em lavouras de subsistência e comerciais situadas em áreas de baixada, e os órgãos de monitoramento recomendam que os moradores evitem deslocamentos desnecessários e não tentem atravessar pontes ou passagens submersas.