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Megaoperação contra Comando Vermelho no Rio de Janeiro tem 64 mortos e 81 presos

Entre os mortos, estão quatro policiais, segundo informações da Polícia Civil.

Redação GV
Por: Redação GV Fonte: BBC News
28/10/2025 às 20h44 Atualizada em 29/10/2025 às 12h08
Megaoperação contra Comando Vermelho no Rio de Janeiro tem 64 mortos e 81 presos
Reprodução

Pelo menos 64 pessoas morreram e 81 foram presas nesta terça-feira (28/10) durante uma megaoperação das Polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro contra a facção Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, na capital fluminense.

Entre os mortos, estão quatro policiais, segundo informações da Polícia Civil. Há também registros de policiais e moradores baleados.

A operação envolveu 2,5 mil agentes das forças de segurança do Rio de Janeiro para cumprir cem mandados de prisão em uma área de 9 milhões de metros quadrados.

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A ação foi classificada pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL), como "a maior operação das forças de segurança do Rio de Janeiro", e faz parte da Operação Contenção, uma iniciativa permanente do governo do Rio em combate à expansão do Comando Vermelho.

"Essa operação teve início com o cumprimento de mandados judiciais e uma investigação de mais de um ano e planejamento feito há mais de 60 dias", afirmou o governador em coletiva de imprensa nesta manhã.

"Uma operação do Estado contra narcoterroristas, porque as pessoas que fazem isso que fazem são narcoterroristas."

Participam da operação policiais militares do Comando de Operações Especiais (COE), de batalhões da capital e da Região Metropolitana, além de equipes da CORE e de todas as delegacias especializadas da Polícia Civil.

O governo do Estado também disse que foram apreendidos 72 fuzis durante a operação, além de uma grande quantidade de drogas.

Entre os presos, estão lideranças do Comando Vermelho que atuam no tráfico de drogas na região. Um deles é Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como Belão. Ele teve a prisão anunciada durante a coletiva por Castro.

Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro de um dos chefes do tráfico, também foi preso.

Os confrontos entre policiais e traficantes acontecem majoritariamente em áreas de mata, segundo o governador, mas há tentativas de criminosos de fechar vias da região, como a Avenida Brasil.

Todos os batalhões do Rio de Janeiro estão em estado de alerta para possíveis retaliações.

Durante a manhã, os criminosos usaram drones para lançar bombas e atacar policiais. Também foram vistos fugindo em fila indiana da Vila Cruzeiro durante a operação.

A operação dessa terça-feira foi a mais letal já registrada desde 1990 na região metropolitana do Rio pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF).

Segundo o grupo de pesquisa, as três operações policiais mais letais documentadas ocorreram durante a gestão de Castro – além da atual, as outras duas foram a do Jacarezinho em maio de 2021, quando 27 civis e um policial morreram; e a da Penha em maio de 2022, quando 23 civis morreram.

De janeiro de 2007 a outubro de 2025, o Geni/UFF registrou 707 ações policiais com mortes na região metropolitana, que tiraram a vida de 2.905 civis e 31 policiais.

"Esses dados nos permitem constatar que as chacinas policiais são a regra e não a exceção no estado do Rio de Janeiro", dizem os pesquisadores da UFF.

"Reiteramos que esta política de segurança pública centrada em operações policiais em favelas, além de implicar em altíssimos custos para a sociedade, há décadas vem se demonstrando ineficiente no controle do crime, incapaz de proporcionar a redução das ocorrências criminais e conter o avanço do controle territorial armado. A recorrência de incursões policiais armadas com tiroteios em territórios densamente povoados revela o descaso do Estado com a preservação de vidas negras e faveladas."

Castro critica governo federal e diz que RJ está 'sozinho'

O governador do Rio de Janeiro afirmou que o uso de "tecnologia, estratégia e inteligência" estavam sendo fundamentais para o sucesso da operação, mas criticou a ausência de apoio do governo federal.

"As nossas polícias estão sozinhas... infelizmente, mais uma vez, não temos auxílio nem de blindados nem de agentes das forças federais, de segurança ou de defesa. É o Rio de Janeiro completamente sozinho."

O aparato tecnológico inclui dois helicópteros, 32 blindados terrestres, drones, 12 veículos de demolição do Núcleo de Apoio às Operações Especiais da PM.

Ao ser questionado sobre apoio do governo federal, Castro disse que teve três pedidos negados para que as Forças Armadas ajudassem em operações policiais no Estado.

A operação desta terça-feira, contudo, não teria contado com pedido, segundo o governador.

"Nós já entendemos que a política é de não é ceder. Falam que tem que ter GLO [Garantia da Lei da Ordem], que tem que ter isso, que tem que ter aquilo, que podiam emprestar o blindado e depois não podiam mais emprestar porque o servidor que opera o blindado é um servidor federal. O presidente já falou que ele é contra GLO. A gente entendeu que a realidade é essa", disse.

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